Discuta sobre suicídio

[Este material é um artigo assinado pelo diretor técnico do Credeq – Prof. Jamil Issy, psiquiatra Tiago Oliveira, que foi publicado na edição do dia 27 de setembro de 2016, no jornal O Popular, em sua página 3, no primeiro caderno]

 

É importante falar sobre suicídio e desenvolver ações que permitam reduzir as taxas de óbitos, mediante a efetivação de uma rede que apoie, identifique e ofereça assistência às pessoas com comportamento suicida. O dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Aliás, setembro é utilizado para alertar sobre o suicídio.

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E como prevenção é significativo combater os mitos que existem em relação ao suicídio. Entre as fantasias está, por exemplo, que o silêncio da mídia contribui no combate ao autoextermínio. Falso. A mídia, quando aborda de modo adequado o suicídio, tem papel fundamental na prevenção a esta tragédia. Ninguém se suicida por que o assunto foi discutido. É preciso promover ações de conscientização sobre o tema, antes que a tragédia seja consumada.

O suicídio é a segunda causa de morte em jovens entre 15 a 29 anos. Mata mais do que Aids. No Brasil, são quase 12 mil suicídios anuais. Estima-se que outras seis pessoas do círculo próximo da vítima sejam afetadas permanentemente pela tragédia. Para ajudar a enfrentar essa difícil realidade, a ONU organiza, todos os anos, a campanha Setembro Amarelo, com foco na prevenção ao suicídio.

A presença de um transtorno psiquiátrico, como depressão, transtorno bipolar, alcoolismo, abuso/dependência de outras drogas, transtornos de personalidade e esquizofrenia, e a tentativa de suicídio anterior são os principais fatores de risco para a morte por suicídio. Metade dos suicídios é precedida por uma tentativa prévia. O suicídio é, também, um problema complexo, com diversos fatores biológicos, psicológicos e sociais atuando de maneira positiva (fatores de proteção) ou negativa (fatores de risco) na prevenção deste desastre. Por isso, não é correto atribuir um fato isolado, como perda do emprego ou desilusão amorosa, como a  “causa” do suicídio.

 

 

 

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